águas claras

ela assistia aquela carinha tentar chamar atenção diariamente, sem se entusiasmar.
dia após dia, passaram meses sem que isso mudasse.
uma piada, um sorriso. um elogio sincero.
e o máximo que ela sentia era um quentinho no rosto, corando as bochechas.

naquela manhã, algo mudou. aquele sorriso estava mais brilhante.
aquele olhar mais desafiador. aquela piada (muito) mais engraçada.

ela notou. ele estava radiante. o que havia ali diferente que conseguiu sua atenção?

ele abriu seu espaço, se aproximou e ficou.
tirou-lhe muitos sorrisos, muitas gargalhadas, muitos “boa noite” com vontade de ficar.

muitos “bom dia” com sorriso franco e promessa de um dia maravilhoso ao seu lado.

ela se abriu, permitiu, deixou que ele entrasse e tomasse boa parte da sua alma.
ele se jogou de cabeça no lago profundo que era seu desejo.
mas, ela só podia nadar na beira. ele queria mergulhar, ela não saiu da borda.

ele se afundou nas águas turvas. ela se mantinha na superfície.
não sabia se era medo ou precaução.

ele se exauriu de tanto tentar. não conseguiu respirar. se afundou demais e não voltou.
ela, ainda se apoiando na margem, olha de longe. considerando o que poderia ser.
ainda aguarda rever aquele sorriso, tentando chamar sua atenção.

ele se foi, mergulhar em outros rios.

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