independência financeira.

10 03 2009

desde que era adolescente e mamãe me dava mesada ela dizia que eu devia trabalhar pra poder arcar com minhas despesas.
mesmo que um rapaz se oferecesse pra pagar a conta eu deveria me impor e pagar eu mesma o que gastei.

bom, minha mãe é uma pessoa independente e feminista. não gosta dessas bajulações e a forma que ela encontrou de ser forte foi se impondo financeiramente. (aqui em casa quem canta de galo é ela, meu pai é mero coadjuvante. mesmo ela se esforçando muito pra fazer parecer que ele manda)

mas, nem sempre filho de peixe é peixinho.
eu adoro ser bajulada dessa forma.

comecei a trabalhar cedo, e num certo tempo até fazia questão da divisão da conta.
depois, as coisas começaram a ficar mais caras.

aos 17, a gente não precisa muita coisa pra chamar atenção. aos 20, as coisas começam a mudar. é unha, depilação, cabelo.
depois dos 25, unhas, cabelos, depilação, pele, roupas, academia, cremes.
e tudo vai ficando muito dispendioso.
um simples encontro acaba saindo caro.

e, eu acho muito justo, já que o gasto é semanal, que o meu par se ofereça pra pagar a conta.
não que eu não leve o meu dinheiro ou me finja de morta quando a dita chega, mas se ele se oferecer, eu não insisto.

estava conversando com uma amiga que reclamou que o namorado tem pago tudo pra ela porque ela tá sem grana. ele não se importa com isso. mas ela quer que ele saiba que ela é independente.

bom, sei lá, nesses dias eu ouvi um pronunciamento de uma ministra de um cargo novo aí dizendo que as mulheres batalharam muito por suas conquistas e me lembrei de um ótimo texto que eu li sobre o direito de sermos mulherzinhas.

na geração da minha avó, mulher que trabalhava não era bem vista.
hoje é ao contrário. quem fica em casa cuidando das coisas enquanto o marido trabalha vê narizes se torcendo e a velha frase vem em seguida: “mas tá procurando?”

poxa, eu quero trabalhar porque gosto e quero ter tempo pra cuidar dos meus filhos. tenho o direito de não querer ser supermulher.
porque não sou.
não tenho capacidade física e psicológica pra trabalhar 8h por dia, passar 3h no trânsito, 2h na academia, chegar em casa cuidar de roupa, comida, filhos e ainda ir pra cama com marido, cheirosa, linda e disposta a uma noite tórrida.

eu quero alguém que me sustente sim. não tenho nenhuma vergonha de dizer isso. quero um marido que ganhe mais que eu, que possa bancar as despesas praticamente sozinho, pra que eu possa ser mãe e mulher sem nenhuma neura ou com a promessa que meu casamento não vai durar muito por falta de sexo.
por que, na boa, quem consegue ter disposição pra transar depois de um dia inteiro de batalha?

eu gosto de trabalhar, não consigo ficar em casa não. gosto de ter meu dinheiro, e não quero ter alguém que vá me dar dinheiro pra cortar o cabelo, por exemplo. não é isso.
mas gostaria de encontrar alguém com estabilidade financeira pra me dar conforto e segurança sem que eu precise me descabelar num emprego formal pra garantir que meus filhos tenham o que comer.

e, sabe o que é mais cruel? é justamente o mundo que as feministas tinham e lutaram tanto pra destruir.

porque agora, a dificuldade de encontrar um homem disposto a “bancar” o casamento, deixando a mulher em casa cuidando de tudo, é enorme.
o papel da mulher é ser super.

é se manter linda, antenada, malhada, disposta, trabalhando, cuidando de filhos, casa, e ser uma deusa sexual.

já cogitei a idéia de fazer concurso público pra dar conforto pros meus filhos. sem depender de marido. porque hoje em dia, o mundo é isso.
tudo igual.

mas cadê a igualdade quando é a mulher que precisa se desdobrar em 20 pra dar conta de tudo enquanto o homem só se preocupa em trabalhar e sair mais cedo pra cervejinha?

ai, como eu odeio aquelas malditas que queimaram os sutiãs.

p.s. eu sei que muita gente vai discordar, mas eu nasci pra ser princesa, ok?!


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8 respostas

10 03 2009
Maria

Eu também nasci pra ser princesa :)

11 03 2009
Renata Fern

Drikka, concordo em gênero, número e grau! O feminismo foi um movimento distorcido. Não era para equiparar a potência dos dois sexos distintos por natureza, era para a mulher não continuar sendo subjugada, só isso! Hoje em dia somos muito mais cobradas, temos mais atribuições e continuamos vivendo nessa porra dessa sociedade machista!

Também nasci pra ser princesa! ;)

Beijos

11 03 2009
Renata Fern

Em tempo….

Escrevi um post falando sobre independência também… e sob aquele ponto de vista quero ser mais independente que princesa, ainda mais diante da banalização dos relacionamentos. Mas se um “príncipe” aparecer na minha frente, caso com ele, lógico! E com muito amor! Sério!

11 03 2009
Mr Clement

seu pai não acessa o seu blog não né? rsrsrs…

bom, meu lado racional diz que mulher tem que dividir as despesas com o seu par, tem q ajudar nas contas da casa, enfim, tem q ser independente porque esse casamento/relacionamento pode acabar e ela vai sofrer duas perdas: o marido e a carteira dele. no entanto meu lado mais relaxado já diz que marido q ganha bem e que gosta de pagar as contas tem mais é q fazê-lo. aliás, por que não dizer que mulher q ganha bem e que gosta de sustentar o marido também o faça? direitos iguais. o fato é q deve ser ótimo ter alguém para nos sustentar. é bom ter uma grana própria? é. é bom não ter q depender de ninguem? ñ sei o que é viver diferente disso, mas uma vida sem responsabilidades no proprio bolso deve ser bem gostosa.

18 03 2009
lagartaafricana

Hehehe eu eu nasci pra ser guerreira :) Bem, odeio dependência, os dois extremos são complicados. Vou casar e o meu principal lema é trabalho em equipe. Os dois dividindo, somando, vivendo. Não nasci para ser sustentada certamente.
Aprendi muito com o Rafa. Logo no início do namoro passei por uma barra, precisava pagar a pós com meu suado dinheiro e não sobrava NADA. Ele bancava tudo: passeios viagens…Era difícil, mas eu aprendi a ser cuidada e aceitar esse tipo de carinho. Agora ele passou por dificuldades. Imagine se tudo dependesse só dele? Estaríamos perdidos. Fiquei feliz de ter segurado a barra com a mesma firmeza que ele segurou no passado.
Acho complicado essas pré definições de querer um marido para ser sustentada. Se o dinheiro acabar acabou também o casamento, o amor? Acho que é um fardo muito pesado para qualquer um.
Talvez eu fale isso pq trabalho em algo que adoro, tenho uma carreira promissora, tô trilhando o caminho que eu escolhi. Já trabalhei em lugares detestáveis mas logo contornei a situação.
Creio que o movimento feminista não queria q a mulher assumisse o papel do homem. A idéia principal era o direito de ESCOLHA. Se vc quer ser princesa, ótimo. Ng vai te criticar. Mas se vc quer trabalhar fora, vá a luta, busque o seu objetivo. eu me encaixo no segundo tipo e me vejo muito mais criticada já que não quero ter filhos, quero ter minha carreira bem distante de uma rotina de princesa.
Espero que vc não fique chateada com meu comentário :)
Beijocas
Isa

20 03 2009
Cássia Pires

Eu não nasci para ser princesa, tampouco para ser guerreira. O que procuro, e até agora tem dado certo, é o meio termo. Não acho justo um homem pagar tudo se eu trabalho, mas também não me sinto ofendida se ele paga. Em outro momento eu pago, mas também como sinal de carinho. Concordo quando você diz que é injusto uma mulher trabalhar arduamente e cuidar da casa e dos filhos. Onde eu trabalhava, a minha ex-chefe pediu demissão porque passava o dia inteiro na agência de publicidade, dava aula de manhã e à noite alguns dias na semana e tinha dois filhos pequeninos, ela nem dormia mais. Ela largou a agência e continuou com as aulas. Cuida dos filhos e trabalha, o marido ganha bem mais, mas existe aí uma balança, afinal, ela quem cuida da casa. Eu escolhi uma profissão em que eu possa trabalhar em casa porque penso nisso, cuidar dos filhos e ajudar no sustento da casa, mesmo que não seja com a maior parte. E se um dia o casamento acaba, vou viver de pensão? Vou brigar com marido na justiça para ter metade dos bens? Quero isso não. =)

Grande beijo.

22 03 2009
Roberta

Aaaaaaaaaaaaaai eu tb!
Quero mais brincar de acordar 6:30, trabalhar de 9 as 20Hs pegar transito e chegar na academia as 21hs..malhar até 22:30, tomar banho, jantar, ser simpatica com a familia..ao menos ficando 10min na sala pra conviver com a familia….ir dormir lá pelas 0:00 / 0:30 !! E no dia seguinte, comecar td de novo!!
Quero ir ao shopping, quero sair com as amigas ..quero fofocar ..ver tv..e esperar meu marido em casa linda e pronta para uma noite de amor, SIM !!
Tb odeio essas vacas que nao tinham o que fazer e foram queimar sutia..naquela epoca o sutia nao devia estar pela hora da morte…., certamente !!

26 07 2011
hel

deve-se encontrar um meio termo.
quem quer ser “princesa” seja mas nao va reclamar se um dia seu casamento acabar e voce nao tiver como se sustentar com o mesmo luxo de quando era “princesa”.
e se for totalmente independente do tipo que ñ aceita que ninguém t pague nem um sorvete tambem nao reclame quando se sentir sozinha afinal voce nao deixou ninguem se aproximar…
o que eu quero dizer é que voce tem sempre que ter uma segunda opçao enfim essa é minha opinião!

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